Claudio Silva Palmuti

EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO: NECESSIDADE OU OPORTUNIDADE?

RESUMO:

Sendo o empreendedorismo um assunto polêmico, o presente trabalho, através de pesquisa bibliográfica, aborda a situação atual do empreendedorismo no Brasil, os motivos que levam uma pessoa a ser um empreendedor, relacionando-os a fatores pessoais e a fatores situacionais, classificando-os como empreendedor por necessidade ou empreendedor por oportunidade. É observada a necessidade de o empreendedor possuir boas redes de contato, bem como estar atento à dinâmica do mercado, possibilitando assim empreender e/ou inovar em um negócio já existente, bem como gerar um novo negócio.

PALAVRAS-CHAVE:

razões para empreender; oportunidade; necessidade; networking; dinâmica do mercado.

ABSTRACT:

Entrepreneurship is a controversial subject, this paper, through literature, addresses the current situation of entrepreneurship in Brazil, the reasons that lead a person to be an entrepreneur, relating them to personal factors and situational factors, classifying them as entrepreneur entrepreneur by necessity or by chance. It noted the need for the entrepreneur have good contact networks, and be alert to market dynamics, thus enabling to undertake and / or innovate in an existing business and generate new business.

KEYWORDS:

reasons for undertaking; opportunity and necessity; networking; market dynamics.

1. INTRODUÇÃO

A globalização exige, por parte de todos, um conhecimento cada vez mais intenso e profundo da economia global e impõe às empresas a necessidade de adotar uma perspectiva estratégica para os seus negócios e competências que as torne mais capazes de tirar o melhor proveito das oportunidades.

Mediante esta economia global as empresas necessitam de rapidez nas decisões e vantagens competitivas sustentáveis, que só será possível alcançar quando desenvolverem a capacidade de inovar constantemente.

As mudanças frequentes no ambiente empresarial geram uma dinâmica e uma competitividade bastante acentuada e conduzem todos a uma era em que inovar não é uma questão de opção, mas sim de sobrevivência.

O processo de inovação em um novo produto ou serviço, pode ser entendido como a transformação de uma idéia, em produto acabado ou serviço prestado. Esse processo é a junção de várias atividades que visa combinar as informações obtidas no mercado a respeito dos concorrentes e do perfil do consumidor, com as capacidades e possibilidades tecnológicas da empresa.

O verdadeiro sucesso depende da capacidade de inovar e de diferenciação da empresa, isto é, da sua capacidade de fazer algo diferente e melhor do que aquilo que o mercado já tem. A inovação é movida pela habilidade de estabelecer relações, detectar oportunidades e tirar proveito das mesmas.

Os chamados empreendedores são os possíveis personagens deste ambiente empresarial dinâmico O entendimento da dinâmica da adoção de novas tecnologias pelos consumidores torna-se cada vez mais importante dada a velocidade de surgimento de inovações. O mercado empreendedor se depara com várias tentativas de início de novos negócios, das quais poucos empreendedores conseguem atingir o sucesso esperado. Inovar sempre e investir em qualidade e eficiência são os desafios enfrentados pelas empresas que desejam sobreviver nesse cenário.

As micros e pequenas empresas são apreciadas em todo mundo como essenciais e profundamente atreladas ao desenvolvimento econômico e à geração de empregos. Isto ocorre porque elas representam uma proporção significativa da economia mundial (MORRISON; BREEN; ALI, 2003).

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística confirmam esta soberania para a realidade nacional, atestando que as empresas com até 19 pessoas destacam-se como as grandes geradoras de ocupação, e representam 97% das entidades legais inscritas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (IBGE, 2008).

Impossível não vincular a questão das pequenas empresas ao desenvolvimento do espírito empreendedor, já que este é responsável de maneira primária pela criação de novas empresas e serviços absorvedores de mão-de-obra. Enquanto a taxa média de desemprego em 2003 foi de 12,3%, em 2007 esta foi reduzida para 9,3%, e recuou ainda mais em 2008, atingindo o valor de 7,9%. Assim, entre 2003 e 2008 houve uma queda significativa de 4,4 pontos percentuais na taxa de desemprego (BNDES 2010).

No Brasil, o empreendedorismo começou a ganhar força na década de 1990, durante a abertura da economia. A entrada de produtos importados ajudou a controlar os preços, uma condição importante para o país voltar a crescer, mas trouxe problemas para alguns setores que não conseguiam competir com os importados, como foi o caso dos setores de brinquedos e de confecções, por exemplo. Para ajustar o passo com o resto do mundo, o país precisou mudar. Empresas de todos os tamanhos e setores tiveram que se modernizar para poder competir e voltar a crescer.

Segundo o projeto GEM (2008), o Brasil ocupou a 13ª posição do ranking mundial de empreendedorismo. A taxa de empreendedores em estágio inicial (TEA) brasileira foi de 12%, ou seja, representa que de cada 100 brasileiros em idade adulta (18 a 64 anos) 12 realizavam alguma atividade empreendedora até o momento da pesquisa. Diante destas informações, podemos entender que o Brasil é um país de empreendedores.

Face às novas pressões econômicas que se colocam no mercado nacional e internacional, poucas coisas são objeto de consenso entre os executivos e acadêmicos especializados em estratégia empresarial. De certa maneira o único consenso é que mudanças freqüentes acontecem e que empresas têm que constantemente buscar novos produtos e mercados, ou seja, que o comportamento de busca ao qual nos referimos deve ser uma atividade constante.

Todavia, nem todos aqueles que estão iniciando seu negócio ou inovando em algum produto ou serviço já existente, têm estrutura ou condições adequadas para competir com quem já está atua no mercado.

De posse deste conceito, o objetivo deste artigo é esclarecer através de pesquisa bibliográfica, quais as razões que levam um indivíduo a inovar em algum empreendimento?

2. REFERENCIAL TEÓRICO

Segundo Santos (2010), o mercado dinâmico e competitivo impulsiona as empresas a investirem em inovação [...] uma inovação bem sucedida representa melhor posicionamento no mercado e, até mesmo a sobrevivência de uma empresa.

As PME inovam, principalmente, para aumentar a eficiência e produtividade por conta das oportunidades de mercado e como reação à concorrência. A procura por maior lucratividade e a exigência dos clientes também estão entre os fatores que motivam a inovação.

Conforme pesquisa do Sebrae (1999), os motivos que levam o empreendedor a abrir seu próprio negócio são os seguintes, em ordem de importância:

* Identificar uma oportunidade de negócio;

* Ter experiência anterior;

* Estar desempregado;

* Ter tempo disponível;

* Dispor de capital;

* Estar insatisfeito no emprego;

* Ter sido demitido e recebido indenização;

* Outras razões.

De acordo com Mongruel e Martins, o ímpeto empreendedor caracteriza-se pela presença de três características básicas: necessidade de realização pessoal que seriam as diferenças individuais entre os que se contentam com o status atual e as pessoas com alta necessidade de realização; aptidão para assumir riscos refere-se ao fato de as pessoas com alta necessidade de realização normalmente terem propensões para assumir riscos, mas de forma moderada; autoconfiança relaciona-se a pessoas que enfrentam desafios que existem ao seu redor e tem domínio sobre os problemas que enfrentam.

Em geral, as pessoas que sonham em ter o seu próprio negócio são movidas pela ambição de ganhar muito dinheiro e ser independentes, como se quisessem provar para si mesmo sua competência. Os empreendedores apresentam elevada necessidade de realização em relação às pessoas da população geral.

Na intenção de ser superior e bem sucedido profissionalmente, o empreendedor é um forte candidato a enfrentar desafios e se arriscar em projetos audaciosos. O fato de estar disposto a arriscar, pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso.

“As pessoas decidem se tornar empreendedoras por vários motivos: porque querem enriquecer ou então porque detestam o chefe (...) já o espírito empreendedor tem três origens: personalidade do indivíduo, experiências adversas e carência e, por fim, pode ter origem em pais que também eram empreendedores“. (DE BES 2008). Rosseto (2008) fez uma analogia à famosa pirâmide hierárquica de Maslow.

Entende-se que há uma hierarquia de necessidades a serem preenchidas e, conforme a pessoa satisfaz uma delas, tenta alcançar outra e mais outra.

Então, assim que satisfazem suas necessidades fisiológicas, a pessoa parte para a conquista da segurança. Quando isso é satisfeito, surge a necessidade de ser amado no meio social. Depois, vem a auto-estima e a vontade de conquistar o respeito e a confiança dos demais. Por fim, a auto-realização, a busca por um conhecimento maior sobre si e o mundo.

Ao utilizar esta pirâmide para o lado empreendedor, observa-se a semelhança na hierarquia. Na base, teríamos as necessidades de sobrevivência do negócio. No patamar seguinte, viria a necessidade da empresa ter identidade própria, de fincar bases sólidas no mercado. Depois, a vontade de que o negócio tenha visibilidade social e seja identificado como algo de valor pelo mercado. Conseguido isso, surgiria a questão: qual o meu papel de empresa cidadã junto à comunidade? O que posso fazer para devolver um pouco do que conquistei para a sociedade? Por fim, no estágio final, o empreendedor seria tomado por uma vontade enorme de deixar um legado, de deixar algo positivo e importante como saldo de sua passagem pelo mundo.

Existem dois motivos para uma pessoa começar um empreendimento, a descoberta de uma nova oportunidade, e/ou por necessidade. Estes dois fatores são às principais motivações para um indivíduo iniciar um empreendimento. (FARREL, 1993).

O que distingue os dois motivos é que, na visualização de uma oportunidade o impulso é a percepção de um novo produto, serviço ou mercado ainda pouco explorado. Já o empreendedor por necessidade, é aquele que não tem alternativa visível para sua sobrevivência, necessitando de ocupação e renda.

Cabe salientar que a escassez de emprego e/ou de profissionalização são fatores que influenciam o empreendedorismo por necessidade, pois estes indivíduos têm como garantia do seu sustento, o trabalho autônomo.

Segundo Korunka et al (2003), dentro deste cenário de criação de novos negócios, algumas variáveis importantes devem ser consideradas. Entre elas, os autores destacam: as características ligadas à personalidade, aos recursos pessoais, ao ambiente e às atividades organizacionais. A interação conjunta destes constructos tem por finalidade entender a realidade do processo empreendedor num prisma maior do que aquele usual de análise única das características pessoais daqueles que se aventuram num novo negócio.

Em relação ao primeiro grupo de variáveis, as características ligadas à personalidade, resultados de estudos prévios buscam associar sua relevância no processo de criação de novas empresas.

Em relação ao segundo grupo de variáveis, os recursos pessoais, Korunka et al (2003) os apresentam sob uma combinação de elementos tais como: capital humano, experiência profissional, habilidades pessoais e condição financeira do empreendedor.

Em relação à terceira variável, ambiente, sua influência sobre a performance das empresas e, de maneira particular, as empresas iniciantes é demonstrada por autores como Gelderen et al. (2000). Empiricamente, os autores mostram como a estratégia é implementada de acordo com a percepção que o empreendedor adquire do ambiente.

O empreendedor é, certamente, o agente dominador dos “mecanimos de mudança”, com capacidade de identificar novas oportunidades, pela combinação de vários recursos ou diferentes combinações de um mesmo recurso. As inovações podem contrabalançar ou compensar a tendência a taxas de retorno decrescentes na indústria ou na economia em geral. A habilidade de identificar e perseguir novas formas de combinação de recursos e novas oportunidades no mercado é a atividade empreendedora por excelência.

Conforme Figueiredo (2010), Schumpeter apóia a idéia de que o empreendedor inovador, é aquele que introduz a inovação, gera desequilíbrio e provoca crescimento no sistema econômico, destacando o papel fundamental da inovação no ato de empreender e seu impacto no crescimento econômico.

Segundo o pensador, o desenvolvimento é possível quando ocorre inovação. Existem, segundo ele, cinco diferentes tipos de inovação: i) introdução de novos produtos no mercado ou de produtos já existentes mas melhorados; ii) novos métodos de produção; iii) abertura de novos mercados; iv) utilização de novas fontes de matérias-primas; e v) surgimento de novas formas de organização de uma indústria.

Fala-se ainda em intra-empreendedorismo, que seria aquele sujeito responsável por recriar a cultura empreendedora interna, indispensável para as organizações já estabelecidas, de acordo com Filion (2004).

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O presente estudo caracteriza-se como bibliográfico, à medida que pretende descrever fatos e fenômenos da realidade. Este tipo de estudo exige do pesquisador, obtenção de fontes bibliográficas, ou seja, de material elaborado com a finalidade explícita de ser lido (GIL.2002).

A criação de um novo negócio é um processo complexo e dinâmico que envolve uma série de decisões e atividades preparatórias. Estes eventos podem ser descritos através da interação entre pessoas e ambientes, que incluem a criação e o refinamento de idéias de negócios.

Característica do ambiente organizacional.

Fonte: os autores

Observa-se que das 25 razões pesquisadas, que levam um indivíduo a empreender em um negócio já existente ou inovar em um novo negócio, aproximadamente 50% (cinqüenta por cento) estão relacionadas à Necessidade de empreender e também 50% (cinqüenta por cento) estão relacionadas à Oportunidade de se empreender.

Este fato revela que tanto o empreendedor por necessidade quanto o empreendedor por oportunidade, possuem características e motivos semelhantes para serem protagonistas de uma revolução de empreendedores.

4. CONCLUSÃO

O termo “empreender” é considerado novidade no Brasil e nos leva a visualizá-lo como sendo uma questão de criar algo novo ou de se ter uma idéia sobre alguma coisa, com possibilidades de retorno financeiro.

Tendo em vista a dinâmica do mercado, é necessário que os empreendedores encontrem alternativas de negócios ou alternativas para transformarem seus negócios em sustentáveis.

Analisando-se os fatores pessoais que levam o indivíduo a ser um empreendedor, percebe-se facilmente a necessidade de interação entre este indivíduo e a sociedade, através de relações sociais diversificadas. O famoso networking é uma forma de alavancar a carreira e realizar negócios.

Observando os fatores situacionais que levam o indivíduo a empreender, nota-se que são uma perspectiva positiva, oriundas de oportunidades externas, que são de grande valia para a sustentabilidade de um empreendimento.

Portanto, empreender não é uma fase passageira, nem tão pouco quer dizer somente sobreviver. Trata-se de uma opção de escolha onde o profissional deve estar atento às regras do mercado e da sociedade

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