Fortaleza

FORTALEZA

RELAÇÃO DO USO DAS TIC NA ESCOLA COM O CONSTRUTIVISMO/CONSTRUCIONISMO

INTRODUÇÃO

O resumo desse trabalho foi o encontro sobre tecnologia e pedagogia Construtivista, quando tivemos a presença do professor/doutor Carlos Fino nos preparando para o ingresso ao Mestrado em Educação. Nessa perspectiva uma das nossas tarefas foi relacionar o uso das TIC na escola com o construtivismo/construcionismo e, quando por fim, tecerei algumas considerações finais.

Grandes escritores, cujos nomes podemos citar como: Vygotsky, Jean Piaget, Seymour Papert que trouxeram suas contribuições consideravelmente para que houvesse um melhor entendimento a respeito de uma mudança no ensino da pedagogia, como tentativa de prática inovadora. Tal contribuição foi de tamanha importância que ainda hoje nós, educadores, enfrentamos uma nova forma de se repensar em mudanças e inovações pedagógicas em nossa sociedade. Através delas é que a função do professor passou a ter um papel mais significativo, contudo, permitindo que seus alunos passassem a atuar mais diretamente diante dos fatos que ocorrem dentro ou fora de sala de aula. Outrora, o professor era considerado apenas um conteudista tendo sempre um público alvo (alunos) como meros ouvintes; isto é, o professor só repassava a mensagem e seus alunos se deixavam levar pela inércia do silêncio utilizando dessa didática altamente ultrapassada e fazendo-nos viver a época do mercado fabril onde todos deveriam apenas obedecer aos comandos de seus fabricantes. Somente agora, há pouco tempo, é que passou a existir um maior entendimento e abertura sobre a necessidade de uma mudança quanto processo de ensino e a participação ativa, além do corpo docente, a atuação dos pais desses alunos, em suma, de toda uma sociedade envolvida no bem estar, não desmerecendo e dando seu real valor ao cumprimento da grade curricular.

Embora ainda muitos insistem em resistir a este novo processo inovador, essas modificações vieram fazer repensar melhor sobre a função de que a participação e o entrosamento entre todos que fazem parte desse convívio social tendo como um único e mesmo objetivo: valorizar a produção de conhecimentos que o aluno já traz de sua casa e o papel do professor seria aquele que mediaria entre a escola x conteúdo por se tratar de padrões pré-estabelecidos por uma sociedade acomodada. Este novo questionamento de mudança pedagógica possibilitou que pudéssemos ver com maior clareza as produções feitas por nossos alunos agora levadas mais a sério, fazendo com que a mesmice deixasse de ocupar um lugar tão importante como também da inércia de pensamentos críticos sobre seus atos e opiniões de pensamentos.

Ainda há muito para se fazer para que haja uma modificação na área do ensino, tendo em vista que a tecnologia vem se tornando uma facilitadora para quem almeja estreitar a distância entre novos saberes. Porém, sabemos que nem todos os alunos recebem a mesma condição de ensino. Mas, através desta mola mestra é que reforça o comprometimento de todos aqueles que compõem o magistério instigando-nos a vontade de contribuir de alguma maneira a inovar nossa forma de ensinar em nossas escolas, partindo do princípio que se não acompanharmos a evolução dos tempos e dessa modernidade, não passaremos de tabulas rasas.

Piaget já considerava o construtivismo como uma filosofia que atinge educandos e professores. Em sua linha de raciocínio, o realismo moral deve ser rejeitado porque nele o “bem se define pela obediência”. Dentro dessa perspectiva de pensamento já inovado, tudo que se relacionasse à escola, passou a ser visto com mais seriedade e os detalhes passaram a ser mais evidentes até mesmo implicando desde o material didático a ser utilizado em uma determinada série, verificando se atendia de fato às necessidades dos alunos de qualquer série que fosse, obviamente mantendo o conteúdo da grade curricular.

Com a chegada do construtivismo pôde haver uma leve alteração e crescimento de reações entre nosso corpo docente, principalmente para muitos aqueles que se encontravam numa postura acomodada de ensino adotando a metodologia tradicional, limitando-se a meros depositores de saberes, embora isso ainda aconteça com grande frequência em muitas escolas de nosso país. Contudo, sabemos que faz parte do quadro dos princípios básicos do construtivismo a autonomia individual ou de seu crescimento intelectual de cada aluno. Nele, reafirmamos que quando se amadurece intelectualmente é que há uma alteração em outros sistemas de valores, como o valor moral já existente.

Acreditamos que, como educadores e formadores de opiniões de graduação, devemos além de ensinar o que nos é imposto, temos que ter a responsabilidade de motivá-los a criarem o desejo de se confrontar com desafios que encontrarão ao concluírem o ensino superior no decorrer de suas vidas.

Sabe-se que a educação exerce uma função de fundamental importância para que o indivíduo possa fazer parte de uma cidadania sadia tendo sua própria opinião e senso crítico. Decerto que, a escola como complemento de seu lar, é que fará este acompanhamento tornando o cidadão capaz de cumprir nossa meta levando nossos discentes a uma civilização mais bem politizada.

A aprendizagem já é um processo adquirido de dentro pra fora, pelos adultos sobre a criança. A isso, chamamos de “input”. Assim, para Jean Piaget, a inteligência é, antes de qualquer coisa, adaptação. Nela se encontra a forma de equilíbrio levando a um equilíbrio estruturando todas as fases que uma criança passará. Embora haja algumas contradições nesta análise piagetiana, Vygotsky vem nos dizer que “a aprendizagem se dá na medida em que são promovidos previamente por uma aprendizagem social. Não basta apenas ter todo um aparato biológico saudável se o indivíduo não estiver colocando em prática aquilo que foi ensinado, caso contrário esta aprendizagem não poderá ser desenvolvida”.

Sua preocupação era voltada não somente para os fatores sócio-culturais como também na aquisição de conhecimentos do sujeito como o meio. Sua teoria preocupava-se em tornar uma interação que pudesse envolver todos para um caminho em comum a todos. Portanto, pensamento e linguagem estão interligadas, segundo Lev Vygotsky. Em suas experiências ele demonstra que o pensamento é a causa que leva o aprendiz a ter uma linguagem anteriormente amparada somente pelo instinto humano.

Entre as leituras de algumas de suas obras, encontramos no livro Pensamento e Linguagem uma forte ligação entre os processos psicológicos humanos e a participação ativa do indivíduo num contexto sócio-histórico. Esta série de conjunto de valores, ideias e crenças são o reflexo do que pode ser produzido através das relações sociais: daí sim, pode haver o aparecimento de um desenvolvimento do processo psicológico. Todavia, não podemos considerar o mesmo quando tratamos de processo derivado de herança biológica, principalmente a aprendizagem, pois é através dessa linguagem que as funções da mente passam a ser formadas e transmitidas. Segundo Vygotsky,

“a linguagem humana exerce duas funções: a linguagem como facilitadora de comunicação entre indivíduos e o processo de abstração e generalização”. Entretanto, “o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata, mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala”. (Vigotsky, 1989, p.44)

Os pensamentos dele contrariam os de Piaget porém, cada um possuindo seus próprios pontos de vista divergindo entre si. Segundo essa teoria onde se percebe que há uma relação entre o aprendizado e o desenvolvimento, ao contrário do que pensa Piaget quando considera que há uma curva de desenvolvimento do indivíduo, antecedendo assim, fazendo que daí ocorra o aprendizado. Para Vygotsky, a fase do aprendizado não vem interferir com a do desenvolvimento; isto é, não há nenhum paralelismo entre aprendizagem e desenvolvimento das funções psicológicas correspondentes. Assim, dá-se o início entre o processo de relação do aluno com seu ambiente sócio-cultural e com a intervenção de outros indivíduos mais experientes. Chamamos a isso de ZDP (zona de desenvolvimento proximal) que compreende a região de potencialidade para o aprendizado. Há uma grande parcela de acréscimo quando existe a interferência dos outros já mais vividos.

Quando se trata de uma criança, a representação vem de forma cognitiva uma vez que ela só poderá resolver determinada tarefa com auxílio de alguém mais experiente ou que tenha já passado pela mesma situação.

Partindo do princípio que a aprendizagem é quem impulsiona o desenvolvimento, a escola passa a ter uma função importante na construção do aluno seja de maneira psicológica e racionalmente. Ela deve dirigir o indivíduo não somente para cumprir etapas intelectuais já alcançadas, mas sobretudo, como já citei no início deste trabalho, orientá-los a passar por diferentes processos como: estágios de desenvolvimento ainda não incorporados pelos próprios alunos, funcionando como um incentivador de almejar novas conquistas psicológicas. Dessa maneira, a escola deveria partir do nível de desenvolvimento real da criança (conteúdo), e posteriormente, como ponto de chegada os objetivos da aula seriam automaticamente alcançados.

Conforme Vygotsky, o desenvolvimento cultural da criança aparece segundo a lei da dupla formação, em que todas as funções aparecem duas vezes: primeiramente no nível social e depois no nível individual; ou seja, primeiro entre as pessoas (intrapsicológica) e posteriormente no interior da criança (intrapsicológica). Poderíamos assim dizer que o desenvolvimento cultural do aluno, assim como sua aprendizagem, se dá mediante o processo de relação do aluno com o professor ou com os outros colegas de sala de aula que mais se destacam. Assim, os vigotskianos entendem que os processos psíquicos, a aprendizagem entre eles, ocorre através de assimilações de ações exteriores, interiorizações desenvolvidas através da linguagem interna que permite formar abstrações.

Baseando-se em um referencial marxista, ele passou a enfatizar o papel da interação social ao longo do desenvolvimento humano. Nesse processo, a aprendizagem se produz a partir do instante em que há uma troca de saberes, diálogos entre o mundo exterior e interior do indivíduo, uma vez que para formar ações mentais tem que partir dessas trocas de experiências com o mundo externo, de cuja interiorização surge a capacidade das atividades abstratas que, por sua vez permitirá elevar a cabo ações externas. Por essa razão, as potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta durante o processo de ensino-aprendizagem.

Na concepção de Seymour Papert, em seu livro Máquina das Crianças, fala-nos que é um ato natural a tal aprendizagem de forma saudável entre uma criança e sua mãe sem mesmo necessitar de uma educação escolar conceituando assim que a educação escolar não é considerada um ato natural. O educador deve ir além de sua responsabilidade como também deve desenvolver seu próprio estilo de ensinar. Muitos profissionais da área educacional estão buscando um melhor meio de deixar com que a aprendizagem de seus alunos flua naturalmente obtendo seus próprios estilos.

Voltando a falar da tecnologia, ela vem alcançando seu espaço rápido e constantemente em nossa sociedade. Embora nem todas as escolas disponham desse recurso inovador, temos que levar em consideração sua grande importância e influência que vem conduzindo cada vez mais nosso público-alvo (alunos) a atingir uma variedade ilimitada de conhecimentos através dela.

Mesmo havendo uma existência de que muitos livros ressaltam sobre a arte de ensinar de forma construtivista, nada vem substituir a arte de realmente construir o conhecimento.

Ainda há muitas escolas que atuam com o método tradicional excluindo-se de qualquer responsabilidade extra grade. Tais ideias, novos fatos são impedidos de serem desenvolvidos com maior proeza ao limitarmos nossos alunos com esta forma de ensino.

Alude Papert,

“o construcionismo é construído sobre a suposição de que as crianças farão melhor descobrindo (pescando) por si mesmas o conhecimento específico de que precisam; a educação organizada ou informal poderá ajudar mais se certificar-se de que elas estarão sendo apoiadas moral, psicológica, material e intelectualmente em seus esforços”.

Já no entendimento da argentina Emilia Ferrero, vale ressaltar que, em alguns de seus textos, a pesquisadora aborda temas atuais, como a entrada das novas tecnologias nas escolas e relação com o problema do fracasso escolar.

[...] Queria indagar que tipo de pressuposição o professor tinha em relação à

competência lingüística das crianças e como isso podia intervir na aprendizagem.

Nessa tarefa prévia de sondagem para elaborar hipóteses mais pertinentes, comecei a perceber que uma enorme quantidade de intercâmbios lingüísticos tinham a ver com a escrita. Eram intercâmbios lingüísticos sobre a aprendizagem da língua escrita (Ferreiro, 2001, p.17).

A criança já adquire conhecimento linguístico antes mesmo de passar a frequentar uma sala de aula. No pensamento construcionista, aponta o ensino escolar como principal característica, colocando como peça principal a idéia de ressaltar a aprendizagem acima de qualquer ideologia que se prenda às regras. Por esse motivo, mais uma vez, as potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta durante todo o processo de ensino-aprendizagem.

Para Fino (2007) diz que,

“Mesmo quando, ao longo das décadas de sessenta e setenta, os meios audiovisuais começaram a vulgarizar no interior dos estabelecimentos, eles nunca deixaram passaram de meros auxiliares de ensino, apesar de alguns entusiastas terem anunciado a transformação da escola pelo seu uso”. (p. 37)

“Desde o outono de 1945 até os nossos dias, as tecnologias baseadas no processamento de informação invadiram literalmente nossas vidas a uma velocidade vertiginosa, especialmente quando comparada com o ritmo da mudança provocada pelo primeiro grande choque tecnológico, do final do século XVII”. (FINO, 2007. p.33)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As leituras e reflexão sobre toda essa pesquisa muito me reforçaram para que pudesse assimilar melhor a existência de qualquer mudança que ocorra dentro do processo enquanto ensino/aprendizagem instigando em mim o anseio de poder repassar aos meus alunos a buscarem novos meios de alcançarem seus objetivos mesmo quando se depararem com quaisquer mudanças que sejam.

Acrescento também que as pesquisas sobre o uso das TIC na escola puderam me fortalecer como cidadã crítica de opinião.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma Perspectiva Histórico-cultural da Educação. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987. 135 p. (Coleção Psicologia e Pedagogia).

VYGOTSKY, L. S. A formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

PAPERT, Seymour (2000). A Máquina das Crianças.

FINO, Carlos Nogueira. A Escola Sob Suspeita. O futuro da Escola do Passado. Porto – Portugal: Edições Asa, 2007. (pp:31-43)

FERREIRO, E. Cultura escrita e educação: conversas de Emilia Ferreiro com José Antonio Castorina, Daniel Goldin e Rosa Maria Torres. Tradução de Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2001.

______ Atualidade de Jean Piaget. Tradução de Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2001

______ Piaget-Vygotsky: novas contribuições para o debate. 3. Ed. São Paulo: Ática, 1996. cap.4, p. 147-175.

_____ Pensar a educação: contribuições de Vygotsky. In: Piaget- Vygotsky: novas contribuições para o debate. São Paulo: Ática, 1988. pp. 51-83.

_____ A representação da linguagem e o processo de alfabetização. Cadernos de Pesquisas, São Paulo, n. 52, p. 7-17, fev. 1985.

______. Lengua oral y lengua escrita: aspectos de la adquisición de la representación escrita del lenguaje. Congresso Internacional da Associação de Lingüística e Filologia da América Latina, 9, 1993, Campinas. Atas do IX Congresso da ALFAL, Campinas: Editora Unicamp, 1993. p. 343-357.

______. O mundo digital e o anuncio do fim do espaço institucional escolar. Pátio, ano IV, n. 16, p. 9-12,

fev./abr. 2001.

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